quinta-feira, 25 de março de 2010

Art Nouveau - Arte Nova


"Pela primeira vez um estilo aliou a originalidade estética com a moderna tecnologia de materiais, de inspiração naturalista e orgânica, fazendo aparecer o novo conceito de design." (Fonte: http://artenova.no.sapo.pt/modernismo.htm)


O Art Nouveau teve início na Europa no final do século XIX e é assim conhecido, pois surgiu de uma loja em Paris (capital internacional do movimento), chamada justamente Art nouveau e que vendia mobiliário desse estilo. Foi um período de curta duração, mas de muita expressão, afinal juntou as conquistas técnicas e construtivas da engenharia com as exigencias formais e estéticas dos arquitectos, sendo um estilo estéticos, que juntamente com o Arts and Crafts, abriu caminho para o design moderno.


Hotel Solvay, Victor Horta (1895-1900). Fonte: http://www.greatbuildings.com/buildings/Hotel_Solvay.html - Acesso em: março/2010


    Se adequa melhor a decoração de interiores e as ilustrações do que a arquitetura, onde não teve muito sucesso. Foi uma tentativa de encontrar uma aparência nova para uma época nova, caracterizando-se pela adoção de formas orgânicas, voltadas para a natureza e pela valorização do trabalho manual.
     Embora anteceda o Cubismo, o movimento Art Nouveau teve alguma influência no gigantesco degrau construído por Braque e Picasso em direção ao moderno design. Ao contrário da maioria das correntes associadas ao movimento modernista, o Art Nouveau não foi dominado pela pintura. Mesmo os pintores mais estreitamente relacionados com o estilo, Toulouse-Lautrec, Pierre Bonnard, Gustav Klimt, criaram cartazes e objetos de decoração memoráveis.
Troupe de Mlle Elegantine (cartaz de 1896) de Henri de Toulouse-Lautrec. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Toulouse-Lautrec. Acesso em: abril/2010.

    A Art Nouveau modernizou o design editorial, a tipografia e o design de marcas comerciais; se destacou no desenvolvimento dos cartazes modernos, revolucionou o design de moda, o uso dos tecidos e o mobiliário, assim como o design de vasos e lamparinas Tiffany, artigos de vidro Lalique e estampas Liberty City.

Luminárias do norte-americano Louis Comfort Tiffany. Fonte: http://abelezadetodasascoisas.blogspot.com/2008/08/beleza-do-art-nouveau.html. Acesso em: abril/2010.


    A litografia colorida tornou-se disponível no final do século XIX, possibilitando aos designers da época trabalhar direto na pedra, sem as restrições da impressão tipográfica, possibilitando um desenho mais livre. Esse avanço tecnológico foi responsável pelo florescimento e difusão dos cartazes impressos.

O poster de Jane Avril, criado em 1889 por Toulose-Lautrec, reflete a influência das estampas orientais, bem como as linhas sinuosas e o desenho das letras da litografia Art Nouveau. Fonte: http://vsites.unb.br/fac/ncint/pg/galeria/artnoveau.htm. Acesso em: abril/2010.




    Na Art Nouveau, houve a exploração de elementos de textura e cor nos revestimentos e a ampla utilização de novos materiais, como o vidro, o ferro e o cimento, e se fez muito uso de formas vegetais e floridas e também de curvas e arabescos. 
    A "arte nova" revaloriza a beleza, colocando-a ao alcance de todos, pela articulação estreita entre arte e indústria.
   Tanta decoração e detalhes faz com que os espaços pareçam preciosos demais para serem habitados. Como nos mostra essa imagem do interior do Hotel Tassel, de Victor Horta, em Bruxelas (1892-1893):

Hotel Tassel. (Fonte: http://mydesignfolder.com/?tag=art-nouveau - Acesso em: março/2010)


    Na arquitetura, mosaicos e misturas de materiais caracterizam muitos edificios, como os de Antoni Gaudi, que foi um expoente do movimento na Espanha. Outros nomes que se destacaram no Art Nouveau foram William Morris, Arthur Heygate Mackmurdo, Emile Gallé, Victor Horta e Henry Van de Velde.

Casa Milá, Antoni Gaudi (Espanha). (Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Art_nouveau - Acesso: março/2010)


   O Art Nouveau ao contrário da Arquitetura de Ferro, que molda o ferro como se fosse gesso, trabalha o metal de um modo diferente, torneando-o para criar suas formas curvas que remetem ao movimento e ao ritmo, expressando um certo poetismo e uma decoração que desperta a fantasia do espectador.

Metro de Paris (1898- 1901), Victor Horta. (Fonte: http://experienciazora.blogspot.com/2007/10/racionalismo-estrutural.html - Acesso em: março/2010)


    Uma obra representante desse estilo que encontramos no Brasil, é a  a Vila Penteado em São Paulo, que é um dos últimos edifícios remanescentes do estilo na cidade de São Paulo. Ela foi projetada pelo arquiteto sueco Carlos Ekman e construída em 1902 para abrigar duas importantes famílias paulistas. Porém em 1949, foi doada à USP e é hoje a sede da Pós Graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - FAU-USP.
   Ela trouxe  na época da sua construção uma enorme contribuição para a ampliação do repertório artístico, técnico e construtivo da cidade, afinal foi construída entre muitos palacetes de tendência neoclássica, destacando-se pela novidade de um estilo novo.
    Nesta construção destacam-se as linhas retas, que se harmonizam com entuques em relevos e elementos de serralheira artística de desenho floral, o desenho dos ornamentos, do mobiliário e as ousadas combinações de cores das pinturas artísticas.


 Fotos da Vila Penteado- atualmente FAU/USP. (Fonte: http://www.usp.br/cpc/v1/php/wf03_conservacao.php?apres=nao&id_cat=4 - Acesso em: março/2010)

    O Art Nouveau é muito criticado pela Bauhaus, como um exagero gráfico que nega os princípios básicos do design contemporâneo. Todavia, a decoração é uma influência persistente na comunicação visual e no design gráfico. Basta perceber essa influência vinte anos mais tarde, no movimento Art Déco e em outras inúmeras obras que vemos ainda nos dias de hoje.






Abaixo, no link, um vídeo que mostra a aplicação do Art Nouveau tanto na decoração, na arquitetura e também na confecção de objetos.




3 comentários:

archieurb disse...

O Art Nouveau pode ser interpretado como um movimento burguês de cunho revolucionário, na medida que afronta a máquina (Revolução Industrial) e sugere a renovação do contato com a natureza, pregando o uso da ferramenta de trabalho como prolongamento do corpo do artista (A arte contra a técnica).

Por: Suelen Barro

Sandro disse...

Pode ser considerado um movimento de vanguarda que tenta romper ou mesmo dar uma nova ''roupagem'' aos materiais usados em arquitetura sobretudo o ferro e o vidro com suas linhas curvas e detalhadas.

Anônimo disse...

Parabéns, gostei muito do artigo.

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